Artista paulistana integra a IV edição da exposição coletiva no Circolo Italiano São Paulo com uma produção que transita entre pintura, resina, transparências e diferentes profundidades para refletir sobre os movimentos da natureza e as transformações humanas.
A relação entre aquilo
que se transforma na natureza e o que se modifica silenciosamente no interior
do ser humano conduz a pesquisa de Wanessa Morone, artista visual
brasileira que integra a IV edição da exposição coletiva “Mulheres que
Transformam”. A mostra acontece de 3 a 13 de outubro de 2026, no Circolo
Italiano São Paulo, na região central da capital paulista, com curadoria de
Rosita Cavenaghi e realização da Art A3 Gallery. O vernissage
será realizado no dia 3 de outubro, às 16h.
Natural de São Paulo,
Wanessa desenvolve uma produção marcada por sua profunda relação com a
natureza, o universo e o planeta Terra. Paisagens e figuras surgem em suas
obras não apenas como representações do mundo exterior, mas como caminhos para
investigar a própria condição humana e os diferentes estados emocionais que
atravessam a existência.
Em sua poética,
natureza e humanidade não ocupam territórios separados. Ao contrário,
estabelecem correspondências. Os movimentos da paisagem, as mudanças da matéria
e as transformações naturais tornam-se metáforas para falar de sentimentos,
permanências, rupturas e ciclos internos.
Da tela à resina: a
matéria como linguagem
Ao longo de sua
trajetória, Wanessa Morone vem aprofundando especialmente as relações entre materialidade,
transparência e percepção. Nesse processo, a passagem da tela para a resina
ultrapassa uma decisão técnica e assume importância conceitual: o próprio
material participa da construção do significado da obra.
Camadas, transparências
e diferentes profundidades modificam a experiência visual e fazem com que uma
mesma imagem possa revelar novas leituras de acordo com o ponto de observação.
A artista trabalha,
assim, com a possibilidade de um olhar que não seja definitivo. O que parece
evidente em um primeiro momento pode se modificar diante de outra perspectiva,
outra incidência de luz ou outra aproximação.
Essa característica
aproxima a materialidade de sua obra da própria experiência humana: também
somos atravessados por diferentes camadas, percepções e estados, e aquilo que
somos ou enxergamos pode se alterar ao longo do percurso.

Entre a imagem e a
sensação
Na pintura de Wanessa,
a figuração não busca necessariamente oferecer respostas. Suas imagens
permanecem em um território situado entre o reconhecível e a sensação, criando
espaços nos quais paisagens e figuras funcionam como pontos de partida para
experiências individuais.
Mais do que apresentar
uma cena, a artista procura estabelecer um campo de imersão e contemplação.
É nesse espaço que o espectador deixa de ser apenas observador e passa a
construir sua própria relação com a obra.
A desaceleração ocupa,
portanto, lugar importante em sua pesquisa. Em um cotidiano marcado pelo
excesso de estímulos e pela rapidez das imagens, sua produção propõe outra
temporalidade: observar, permanecer, perceber as camadas e permitir que a
experiência aconteça.
Atualmente, Wanessa
participa de residência artística na ESPM/Panamericana, onde aprofunda
sua investigação sobre matéria, percepção e os estados internos do ser humano.
Arte como rito e
travessia
A ideia de
transformação que dá nome à exposição encontra ressonância direta na produção
da artista. Para Wanessa Morone, a arte pode ser compreendida como rito e
travessia — um convite para atravessar, junto à obra, aquilo que poderíamos
chamar de um mesmo rio interior.
A referência ao
pensamento de Heráclito, filósofo grego associado à reflexão sobre o
fluxo e a permanente transformação das coisas, dialoga com essa concepção. A
conhecida imagem do rio — que jamais permanece exatamente o mesmo, assim como
também se transforma aquele que o atravessa — encontra correspondência em uma
obra construída entre permanência e mudança.
Entre matéria e
transparência, controle e entrega, natureza e interioridade, Wanessa Morone
constrói uma poética que não fala apenas das transformações do mundo visível.
Sua produção direciona o olhar para mudanças mais sutis: aquelas que acontecem
dentro de cada indivíduo.
Em “Mulheres que
Transformam”, esse percurso ganha novo contexto ao integrar uma exposição
dedicada à pluralidade da produção artística feminina contemporânea, reunindo
diferentes linguagens, trajetórias e maneiras de compreender a capacidade
transformadora da arte.
Serviço
Exposição:
Mulheres que Transformam – IV Edição
Artista: Wanessa Morone
Período: 3 a 13 de outubro de 2026
Vernissage: 3 de outubro, às 16h
Visitação: diariamente, das 13h às 18h
Local: Circolo Italiano São Paulo
Endereço: Avenida Ipiranga, 344 – 1º andar (esquina com a Avenida São
Luís) – República, São Paulo/SP
Curadoria: Rosita Cavenaghi
Realização: Art A3 Gallery
Assessoria de Imprensa: Gisele Faganello Lahoz



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